Estar e não parecer
Era sempre com os mesmos pensamentos, impregnados de intenso erotismo que ela recordava aquelas noites passadas sob o sol de madrugada. A maneira como os seus pensamentos balanceavam na sua mente de menina-mulher, deleitava-a e fazia-a bambulear o corpo numa dança quase ritual. A atitude ríspida e o ego esotérico, embora vulneráveis, ofereciam-lhe uma atitude de indiferença. As roupas de mulher, pousadas sob uns seios firmes de jovem adolescente, fazia com que o desejo e a excitação daqueles que a viam, a congratulasse com sorrisos desdenhosos. O seu porte, quase neurológico e um olhar denso que vagueava inoportunamente num horizonte vago de emoções privadas, constituíam os seus faróis. A espera de alguém que ouvisse o grito silencioso dos seus lábios ou afastando tudo e todos com o seu toque de cabelo levado ao vento, ofereciam-lhe todo um semblante de magia e fascínio pouco pronunciados. Ruiva nos cabelos e nas pestanas, Alison vivia num pequeno apartamento situado nos arredores da capital. A sua postura estavam ali, mas os seus olhos indicavam outro espaço, as suas mãos outros toques, o seu nariz outros cheiros. Estava ali, mas parecia não estar… Um vulto entre um quotidiano vago, um frenesim de ideias sem sentido. Chuva em pelo verão, floco de neve sob uma praia pousada… algo que não fazia sentido, mas que lá estava e que por isso mesmo alguma coisa mudava.
Outono
Ela olhava para mim com o seu olhar cativante de um outro século e mantinha-se distante de todo o seu apanágio estético. Os seus olhos, cobertos sob uma mancha de rímel, uma linha que lhe destacava a fogosidade do olhar, enfeitiçaram-me o espírito. Se fosse só o espírito que ela despertara… Olhei para ela, mirei-a, desprezei-a com o olhar mas anseei-a com o sexo, e perguntam vocês porque é que tenho a mão afagada sob os pêlos dos meus genitais (ri-se)? Para ter a certeza de que existo, de que valo a pena existir para puder viver e desfrutar de momentos como estes…
Au revoir Simone
Há uma luz. Uma luz não muito luminosa, mas também não apagada. É uma luz diferente. Não é tão grande, mas é a maior das luzes. Não é tão pequena, mas é uma luz que cabe em todas. Alguns dizem que é uma luz estranha. Outros dizem que é uma luz diferente. Alguns afirmam que é uma luz invisível. Outros visível. A maior parte deles afirma que é uma luz que só alguns, pouco têm acesso. Outros mesmos acreditam que não a têm e procuram desesperadamente à procura de uma coisa que se encontra parada ou em movimento, estática ou em reflexo. É uma luz que não é luz, que não produz os efeitos de luz, mas que produz reflexos diferentes. É uma luz que ajuda muitos a saírem do desespero constante e do stress quotidiano. É uma luz que ajuda alguns a perderem-se, a fugirem aos encontros marcados, às reuniões estabelecidas, aos projectos definidos. Muitas dizem que se sentem mágicos quando a têm. Alguns afirmam que se sentem altos, embora não o sejam. Que podem controlar o mundo, cada um com o seu instrumento. Finalmente, há aqueles que a acham grande e poderosa demais e se sentem inertes, calados, pequenos, desaparecidos. Esta luz é diferente por isso mesmo. Cada um a sente de maneira diferente, cada um a utiliza de maneira diferente. Cada um a fixa de maneira diferente. Cada um acredita que é a base da vida. Outros acreditam ainda que ele pode construir o que já está destruído ou em queda. This light called INSPIRATION
